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Sua marca também está de chuteira rosa sem perceber? O que a Copa pode ensinar sobre branding, diferenciação e identidade

Todos os dias, milhares de marcas buscam responder à mesma pergunta: como chamar atenção em um mercado cada vez mais competitivo?


É comum que, nessa busca, muitas empresas acompanhem tendências, reproduzam formatos que estão em alta e adaptem sua comunicação para parecer atual. Afinal, ninguém quer ficar para trás.


Mas um episódio recente da Copa trouxe uma reflexão interessante sobre esse comportamento. Em diversos jogos, uma tendência chamou a atenção de quem acompanhava o campeonato: as chuteiras rosas.


Elas apareciam em diferentes seleções, patrocinadores e atletas. A intenção parecia clara. Em um campo onde todos usam uniformes semelhantes, uma cor vibrante poderia ajudar cada jogador a se destacar.


O curioso é que aconteceu exatamente o contrário. Quanto mais atletas utilizavam a mesma estratégia para chamar atenção, mais semelhantes eles pareciam.


Essa é uma das dinâmicas mais interessantes do branding contemporâneo. _________________________________________________________________________


O paradoxo da diferenciação


Vivemos um momento em que as tendências circulam em uma velocidade impressionante. Uma identidade visual viraliza, um formato de vídeo ganha alcance, uma linguagem passa a gerar engajamento. Em poucos dias, centenas de marcas começam a reproduzir o mesmo comportamento.


Naturalmente, isso gera uma sensação de segurança. Se está funcionando para alguém, talvez funcione para mim também. O problema é que, quando todos escolhem os mesmos caminhos para parecer diferentes, a diferenciação desaparece.


Esse movimento tem até um nome conhecido dentro do comportamento de mercado: convergência. Na tentativa de inovar, muitas marcas acabam convergindo para exatamente as mesmas escolhas.


O resultado é uma comunicação que parece atual, mas dificilmente autêntica.


Sua marca também está de chuteira rosa?


Essa pergunta pode parecer inusitada, mas ela ajuda a observar alguns comportamentos muito comuns.


- Sua comunicação muda completamente sempre que surge uma nova tendência?


- Você sente dificuldade para explicar o que realmente diferencia sua marca além do produto ou serviço?


- Os conteúdos publicados poderiam ser facilmente confundidos com os de outras empresas do mesmo segmento?


- Você salva muitas referências, mas encontra dificuldade para traduzir sua própria personalidade na comunicação?


Se algumas dessas perguntas fizeram sentido, talvez a sua marca esteja buscando diferenciação apenas olhando para fora. E esse costuma ser um dos maiores desafios da construção de posicionamento.

Enquanto muitos seguiam a tendência, uma escolha chamou atenção por outro motivo.


No mesmo campeonato, outra imagem despertou curiosidade: Messi entrou em campo utilizando uma chuteira branca e azul.


Visualmente, ela parecia até mais discreta do que tantas outras opções coloridas, mas carregava algo muito mais poderoso: o seu significado. As cores faziam referência à Argentina, à sua trajetória e à história construída ao longo da carreira.


A chuteira não precisava chamar atenção apenas pela aparência, ela contava uma história.


Isso é o que acontece com marcas que possuem identidade. Quando existe propósito, clareza e intenção, a comunicação deixa de depender exclusivamente das tendências para ser reconhecida. Ela passa a ser lembrada pelo significado que constrói.


O papel da escuta ativa na construção de marcas


Na PUCO, falamos frequentemente sobre autoconhecimento de marca.


Acreditamos que comunicação não começa quando alguém abre o Instagram ou publica um conteúdo. Ela começa muito antes, começa quando uma empresa entende sua história, seus valores, sua comunidade e o impacto que deseja gerar.


É por isso que a escuta ativa faz parte da nossa metodologia.


Antes de pensar em posicionamento, identidade visual ou planejamento de conteúdo, escolhemos compreender quem aquela marca é. Essa etapa cria uma base sólida para todas as decisões seguintes.


Quando existe clareza interna, acompanhar tendências deixa de ser uma obrigação. A marca passa a utilizá-las apenas quando fazem sentido para a sua própria narrativa.


O verdadeiro diferencial dificilmente nasce da comparação


O mercado continuará criando novas tendências. Novos formatos aparecerão, novas estéticas ocuparão as redes sociais. Tudo isso faz parte da comunicação contemporânea.


O desafio está em não permitir que essas referências substituam aquilo que torna uma marca única.


Uma identidade forte não nasce da tentativa de parecer diferente, ela nasce da coragem de comunicar aquilo que só aquela marca poderia comunicar.


Na Copa do Mundo de 2026, enquanto muitos tentavam chamar atenção pela mesma estratégia, quem tinha uma história para contar precisava apenas continuar sendo reconhecido por ela.


A sua marca está tentando acompanhar a próxima tendência ou está construindo uma identidade que continuará fazendo sentido mesmo quando ela passar?

 
 
 

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